A Literatura de Cordel está em festa!

O projeto “Acervo Brincante de Literatura de Cordel - Coleção Antonio Nóbrega” propõe a organização, reparação de danos físicos e digitalização para acesso público e gratuito de quase 6 mil obras de Literatura de Cordel do acervo pessoal do músico, pesquisador, educador e poeta Antonio Nóbrega. Todo o material está disponível em uma biblioteca física no Instituto Brincante, em São Paulo, para consulta presencial, e este site traz todos os exemplares que já são de domínio público.

Reconhecida e registrada como Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Literatura de Cordel foi inserida no Livro de Registro das Formas de Expressão em setembro de 2018. Recentemente, comemorou os 150 anos de nascimento de seu principal autor e difusor, o poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918).

Sempre vivo, esse gênero literário adquire ainda mais relevância para entender o todo cultural brasileiro, essencial para a construção de uma visão complexa da rica diversidade de vozes e contextos presentes em nossa produção artística. Dada sua grande versatilidade – ainda que em simbiose com suas formas tradicionais de estruturas poéticas –, o Cordel permanece ativo e atento a sua realidade, espalhando-se para todos os cantos do país e do mundo e exercendo importantes funções informativas, didáticas, morais, históricas e de entretenimento.

Como não fogem à peleja, os poetas sempre se apropriaram dos materiais disponíveis e hoje dominam inclusive os novos recursos tecnológicos para divulgar e vender seus trabalhos, além de pelejar entre si via redes sociais e aplicativos.

Ciente disso, o projeto busca contribuir com a continuidade desse saber a partir do valioso acervo particular de Antonio Nóbrega, acumulado ao longo de uma vida de ricas andanças pelo país. Soma-se a ele a coleção do jornalista Luiz Ernesto Kawall, com publicações atuais e outras raras, sendo algumas com mais de cem anos de idade.

ATIVIDADES REALIZADAS

Ao primeiro contato com o Acervo, a principal atividade que garantiu tanto a conservação dos próprios documentos quanto a segurança das pessoas e dos espaços envolvidos no processamento é a higienização mecânica com uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Trinchas com cerdas especiais foram usadas para limpeza das folhas de cada item, retirando poeira e outros agentes nocivos, e a delicada remoção de grampos metálicos evitou corrosão do papel pela ferrugem.

Terminada esta primeira etapa, o esforço em equipe consistiu na separação dos folhetos cuja autoria estivesse comprovadamente em domínio público, fundamentada por pesquisas em fontes seguras. Porém, ao longo da história da Literatura de Cordel, alguns poetas se apropriaram, editaram e publicaram obras de outros autores, gerando a necessidade de pesquisas mais aprofundadas para comprovação. Com isso, chegamos ao número de aproximadamente 300 folhetos para digitalização e disponibilização irrestrita das imagens.

Em seguida, os documentos foram organizados por critérios pertinentes e acondicionados em caixas apropriadas para sua conservação.

O processo de descrição documental consiste na adição de informações sobre cada um dos exemplares em campos como "Autor", "Título" e "Data", dando forma ao catálogo eletrônico que possibilita a pesquisa pelos usuários deste portal. Isso mesmo: fique à vontade para explorar!

Ao mesmo tempo, os folhetos em domínio público passaram por processos delicados e necessários de reparo de danos físicos ao papel, com o uso de materiais especiais apropriados; todos foram costurados a mão para que pudessem ser manipulados e consultados com segurança, com o objetivo de serem acessíveis por muitos e muitos anos. Com isso, puderam ser digitalizados e inseridos neste portal especializado.

Terminados os processos descritos, todo o acervo foi organizado de forma prática em caixas devidamente identificadas para que pudesse ser consultado irrestritamente pelo público na Biblioteca de Cordel do Instituto Brincante. Basta entrar em contato conosco para agendar sua visita.

A execução e a coordenação técnica do projeto são da restauradora Marina Nabuco, artista visual pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) que pesquisou e trabalhou nas coleções de Literatura de Cordel e Fundo Aracy Amaral no Serviço de Arquivo e Laboratório de Conservação e Restauro do Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Itaú Cultural.

Marina teve auxílio de Karoliny Borges, historiadora formada pela USP com atuação em preservação, memória e arquivologia. Em sua iniciação científica, com o título “Acabou o papel: práticas de memória, cultura visual e transformações urbanas - São Paulo (1948-1988)”, Karoliny organizou a documentação pessoal de Nery Rezende. A pesquisadora também colaborou com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) no projeto de organização das cartas do músico Camargo Guarnieri e iniciou a organização do fundo pessoal do geógrafo Manuel Correia de Andrade. Atualmente, faz parte do projeto de organização dos Fundos Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza.

Este portal, construído ao longo de um ano de trabalho, vislumbra a democratização do acesso a esse precioso conteúdo, a preservação física desse material, a divulgação dos detentores desse fazer artístico e o crescimento do interesse público, para que a rica Literatura de Cordel continue ativa, atenta e em festa por gerações!

Para acessar nossa biblioteca virtual de Literatura de Cordel, utilize o campo de busca logo aqui abaixo.

São quase 300 folhetos em domínio público para pedido de download e mais de 5 mil títulos disponíveis para pesquisa.

Busca Avançada

Este acervo conta com o apoio do Edital de Apoio à Digitalização de Acervos, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

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